Conceito

Conceito museológico e museográfico:

O museu aqui é visto como um espaço em que diversos grupos e categorias sociais podem contribuir para a preservação, assim como para a revelação de experiências singulares que abarcam situações cotidianas ou inusitadas vividas por uns e outros e que podem ser compartilhadas no seio da memória social, que de individual se faz coletiva por meio do ritual da moda e de seu sistema, que também leva a diferenciações.

Numa sociedade em que ocorre a anulação/dissolução do sujeito, no processo de valorização da mercadoria no qual se realça seu valor de troca no mercado, parece que se torna extremamente urgente pensarmos os bens, para não sermos, de fato, barbarizados por eles. É preciso viver a vida, assim como é necessário pensá-la. Somos levados a pôr-nos em tudo, consciente ou inconscientemente. Este é o maior registro de toda uma existência.

O Museu assume o lugar de guardião no sentido de preservar e difundir uma multiplicidade de experiências, mas também se abre, na atualidade, para um espaço privilegiado do pensar e refletir sobre práticas sociais e culturais, assim como suas relações de poder. E é assim que se encara neste projeto o trabalho museológico e digital, por ser, sobretudo, uma forma de garantir diferentes formas de interação individual e social ao conteúdo exposto. Lugar, por excelência, da Moda, aqui compreendida como expressão humana e inserção social. Revelamo-nos e escondemo-nos por meio de nossos modos e modas. Há um universo aqui a ser desvelado.

Dito isto, a fotografia e os objetos em geral são portadores de memória. A imagem fotográfica reforça-se como registro, conexão com determinada situação, espaço e tempo. As fotos e outros artefatos passam a ser considerados biográficos, já que, ao serem selecionados para contar histórias, tornam-se insubstituíveis, pois tudo o que nos pertence nos identifica; e, do mesmo modo, o que e como nos relacionamos com nosso meio, como nos socializamos e nos comunicamos, e também como imprimimos nossas diferenças.

Nota-se, por fim, que o MIMo intenciona levantar questões em torno da memória e suas possibilidades, mais precisamente sobre como nossos pertences nos representam e contam histórias. As fotografias, mais do que comprovar passagens verídicas de nossas vidas, são os retratos de épocas e situações, mas também contêm outras “verdades” ou razões. Como representação das representações, percebemos que, por meio das fotografias, e do que elas revelam ou silenciam, revisitamos nosso passado, nos reconhecemos ou nos desconhecemos nelas e, de alguma forma, revisamos nossas vidas – movimento próprio da memória e campo de pesquisa aberto para a incursão do Design e da Moda, aqui oferecendo a própria definição de nossa atividade museal. O tempo da memória é outro. Em um movimento circular saímos do presente, voltamos a um passado colorido por esse presente e a ele retornamos revelando ou silenciando, de acordo com as experiências vividas e as revividas pelas lembranças. De qualquer modo, pensamos a memória como reveladora de processos e estes são pontos de referência para o registro museológico.

Em suma, nosso museu é digital, e a fotografia será tratada como foto-documento, foto-modelo, foto-lembrança, foto-objeto, passado-foto-presente, mas também como objeto de pesquisa, assim como toda e qualquer imagem produzida para fins museológicos. Comporão um banco de dados, nossa reserva técnica, e, periodicamente serão organizadas exposições virtuais com base na abrangência de nossos acervos e das possibilidades interpretativas que brotarão da polifonia e polissemia propostas em nosso trabalho museográfico, que pressupõe interatividade por meio do espaço virtual.

Márcia Merlo
Anna Maria Rahme