Acervo Indumentária

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Esse acervo digital tratará das múltiplas formas do vestir e do que é vestido. Entende‐se que o ato de vestir e cobrir o corpo expressa um papel importante na formação social da identidade, pois a maneira como a humanidade se veste, e isso ocorre e ocorreu em diversas épocas e culturas, influencia o meio no qual o indivíduo se insere na sociedade.

A veste pode expressar o grupo religioso que frequenta, as ideologias políticas adotadas, o estrato social ao qual se enquadra e os agrupamentos culturais formados na busca incessante de pertencimento/ reconhecimento. Entende‐se então que o vestuário torna‐se um veículo para o homem, ou seja, as vestes escolhidas pela pessoa se torna uma ação, pois esses itens sofrerão uma interpretação tanto da pessoa que os utilizam quanto daquela que observa e interpreta o vestuário do outro. Dentro desse movimento das identidades relacionais e do posicionamento social, o vestuário pode ser entendido como indumentária, pois esse é o termo utilizado para se referir ao conjunto de artefatos utilizado pelo homem para cobrir seu corpo (NOROGRANDO, 2011). E, por meio deles encontramos elementos que fazem a mediação de tais relações e localizam os indivíduos no tempo e no espaço, também dentro de um dos movimentos da moda.

O ato de vestir é uma atividade humana. É constituído no processo de humanização e socialização e aqui é compreendido como variações das expressividades individuais e sociais. Expressão de valores, revelação de gostos e questionamentos, pois também pode, emblematicamente, demonstrar um ato contestatório ou uma transgressão. Desvela a mentalidade de uma época, assim como suas (re)criações. Denota e conota modos e modas, em geral e em particular; isto porque as visões de mundo, as mudanças socioeconômicas, os estilos de vida, as inovações tecnológicas, os hábitos de consumo nos impactam e nos transformam, apontando dinâmicas culturais e novas (re)produções simbólicas.

Estudar a indumentária propicia (re)conhecê-la como parte integrante da cultura, tanto do que ela apresenta em relação aos aspectos das realidades possíveis, quanto aos elementos constituintes das subjetividades e da memória. Memória entendida como o que substancia as práticas sociais do vestir e como registro dos processos de criação do vestuário, que aqui também serão analisados e disponibilizados aos internautas, tendo como suporte peças digitalizadas de criadores de modas, figurinos e roupas de época.

Dito isto, no acervo Indumentária do MIMo, encontram‐se imagens do Figurino da Novela Lado a Lado, idealizado e produzido pela artista Beth Filipecki, gentilmente compartilhado para compor a primeira coleção de nosso acervo. Corroborando a ideia de figurino como parte do acervo Indumentária, uma vez que ele foi produzido por meio de estudos de hábitos e costumes de uma época. Sua criação busca evidenciar como eram os trajes de classes sociais distintas na Belle Époque carioca, trazendo flashes de uma dada realidade histórica e social. Porém, entende-se que as demais unidades digitalizadas do Museu podem ser consideradas referências para a análise da criação e uso dos trajes, enriquecendo, ainda mais, o trabalho museal aqui proposto.

Acreditamos que se trata de um rico material para os estudos da Memória, da Indumentária e da Identidade Social. Esse material dá início ao acervo a ser ampliado com coleções compartilhadas por outras instituições de pesquisa e/ou museológicas, uma vez que consigamos criar o nosso laboratório digital.

 

Por Márcia Merlo

 

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Imagens do Figurino da Novela “Lado a Lado” – acervo compartilhado por Beth Filipecki.